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O tabuleiro vazio de uma destas telas
remete-nos para o fascínio por uma amálgama de "raízes'
e "corpos' de palavras num espaço multi-direccional
e não linear, como aquele que acontece nas palavras cruzadas
mas deixou de acontecer na nossa linguagem verbal.
É essa qualidade visual, espacial e evocativa do que dizemos
e escrevemos que é recuperada em muitas pinturas de António
Sena. A memória e a história dos suportes em que se
inscreveu a expressão humana ao longo dos tempos parece conforme
à opção dos tons argilosos nestes trabalhos
e à criação de metáforas ligadas à
ideia agrícola e arqueológica de escavação.
Nos escombros da terra vivem formas e ideias fragmentadas por decifrar
ou recuperar. Leonor Nazaré
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